Má gestão de resíduos, transporte e energia podem fazer Brasil retroceder em metas de clima

O Brasil vem conseguindo reduções significativas de suas emissões de carbono, segundo dados do governo federal. Em 2012, o volume era 41,1% menor do que em 2005, graças a ações em setores como agricultura, florestas e uso do solo.

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Notre Dame Global Adaptation Index-http://index.gain.org/country/brazil

Mas, de acordo com a cientista Suzana Kahn, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), estas emissões podem voltar a aumentar se não houver um esforço de redução nas cidades brasileiras.

A pedido da fundação americana Bloomberg Philanthropies, Kahn realizou um estudo em parceria com a pesquisadora Isabel Brandão para avaliar oportunidades de redução de emissões nas áreas urbanas do país.

O trabalho mostra que uma melhor gestão em três áreas – resíduos (esgoto e lixo), transporte e uso eficiente de energia – podem dar um grande impulso à mitigação de impactos ambientais e, ao mesmo tempo, aponta que pouco tem sido feito em relação a elas.

“Ações neste sentido ainda são muito incipientes. Há uma ou outra iniciativa isolada voltada para pontos específicos, como qualidade do ar ou congestionamento e que acabam gerando benefícios para o clima, mas o objetivo principal não tem como foco o meio ambiente”, afirma Kahn.

Metas

Na prática, isso pode vir a comprometer metas anunciadas pela presidente Dilma Rousseff na ONU em setembro e que serão apresentadas na Conferência do Clima em Paris, que terá início em 30 de novembro. Entre os principais objetivos, está a redução das emissões em 43% até 2030.

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Entre as ações propostas para isso – fim do desmatamento ilegal, restauração de florestas e pastagens e aumento da participação de fontes renováveis na matriz energética -, não há nenhuma voltada especificamente para as áreas destacas no relatório da Coppe-UFRJ.

O estudo destaca, por exemplo, que menos da metade do esgoto produzido no país é coletado e, deste volume, apenas 40% é tratado. Neste quesito, o Brasil é 112º do mundo entre 200 países no Índice de Desenvolvimento Sanitário, da Organização Mundial da Saúde.

Transporte

A pesquisa aponta que a Política Nacional de Mobilidade Urbana (que autoriza estados e municípios a restringir circulação de veículos, entre outras coisas), lançada em 2012, pode reduzir até 2020 as emissões de transporte de passageiros em 19,5 milhões de toneladas de CO2 até 2020. Seria o mesmo que anular quase todas as emissões de uma cidade do porte do Rio, onde 22 milhões de toneladas de CO2 foram emitidas em 2012.

“Para isso, seria necessário não só melhorar o transporte público, mas também restringir o uso do carro, criando pedágios urbanos e vetando sua circulação em áreas da cidade”, defende Kahn.

Prefeitura de Curitiba

Incentivo ao uso de transporte público pode ter o maior impacto na redução de emissões.

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“Se não houver este tipo de penalidade, que é impopular do ponto de vista político, as pessoas dificilmente deixarão o carro em casa, porque é um meio de transporte mais confortável”.

O relatório destaca iniciativas como o BRT, no Rio de Janeiro. Segundo dados do estudo, o índice de pessoas usando meios de transporte de massa na cidade atingirá 63% em 2016, ante 18% em 2010, antes da criação deste sistema de corredores exclusivos para ônibus.

Fontehttp://ihu.unisinos.br/noticias/549297-ma-gestao-de-residuos-transporte-e-energia-podem-fazer-brasil-retroceder-em-metas-de-clima

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