Mudança Climática: escalas geográficas e ação humana

Por Bruna Escaleira

Em 2014, o clima surpreendeu todos os brasileiros. Enquanto no norte e sul do país choveu muito além do esperado, o sudeste sofreu com a seca e o esvaziamento das represa. Para 2015, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) previu chuvas ligeiramente abaixo da média nas regiões Norte e Sul e precipitações um pouco acima do normal nas regiões Centro- Oeste e Sudeste. Mas até meados de janeiro, a situação não era animadora. Pelo contrário: em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, as temperaturas bateram recordes, choveu pouco e longe dos reservatórios. A possibilidade de racionamento de água e energia nos grandes centros urbanos é cada vez mais concreta.

É preciso deixar claro que o fenômeno ocorre em três escalas distintas: local, regional e global. É fundamental delimitar cada uma delas e mostrar como elas se influenciam”, afirma Sueli Furlan, professora de Geografia da Universidade de São Paulo (USP).

Os meteorologistas concordam que as chuvas de verão não chegaram à Região Sudeste porque uma bolha de calor de alta pressão “estacionou” sobre ela no verão do ano passado. Neste ano, há indícios de que o fenômeno esteja se repetindo. Geralmente, uma massa de ar quente tem baixa pressão atmosférica. Nesse caso, o contato dela com um fluxo de ar frio favorece a formação da chuva. Mas essa bolha tinha alta pressão, o que impedia a aproximação de ventos úmidos, já que o ar flui de áreas com mais pressão para outras com menos pressão. Ninguém sabe explicar ao certo o que causou a formação dessa bolha e por que ela estacionou ali. Para investigar as hipóteses, é preciso mudar para a escala global.

A umidade regional ameaçada

Crédito: Pedro Haman
Crédito: Pedro Haman:

1. Umidade do mar: O sol evapora a água do mar. Esse vapor é atraído para o continente pela baixa pressão atmosférica da floresta e vira chuva sobre a Amazônia.

2. A floresta atua: As árvores amazônicas absorvem parte da água da chuva e bombeiam à atmosfera ainda mais água em seu processo de transpiração. O fluxo de vapor ganha volume.

3. Paredão rochoso: O vento leva as nuvens e o vapor de água da floresta como um rio voador em direção aos Andes, mas ele não consegue ultrapassar a cordilheira e ruma para o centro-sul do país.

4. Bolha quente: No centro-sul, a massa de ar quente no verão tem barrado o ar úmido do norte do país e as frentes frias que vêm do sul. Resultado: chove bem menos que o esperado.

A ação humana modifica o clima

Há uma série de fatores sociais e ambientais que os influencia. A quantidade de gases causadores do efeito estufa lançada na atmosfera já é maior que a capacidade de absorção dessas substâncias pelo planeta: o aquecimento global chegou. Informações das agências americanas NASA e NOAA, que monitoram os oceanos e a atmosfera, indicam que 2014 foi o ano mais quente da Terra desde o início das medições, em 1880. Não é um caso isolado: o século 21 tem nove das dez maiores médias de temperatura anuais, o que configura uma tendência de aumento.

Com o aumento de temperatura, a atmosfera procura um reequilíbrio diante da nova situação. “Essa busca se manifesta como uma agitação atmosférica, que resulta em fenômenos climáticos extremos: furacões cada vez mais fortes, tempestades, enchentes e secas”, explica Tércio Ambrizzi, professor de Ciências Atmosféricas da USP. Para o especialista, o aumento da temperatura da superfície do mar ao sul do Oceano Atlântico pode ter influenciado a bolha de calor na Região Sudeste, pois esses eventos não são isolados.

No momento de abordar a escala local, a ação humana novamente precisa ser debatida. Ela está por trás, por exemplo, do fenômeno das ilhas de calor, típico dos centros urbanos. Quando uma massa úmida passa por esses locais, o concreto e a poluição a jogam para o alto. O ar quente se resfria rapidamente, se condensa e gera fortes chuvas – que só têm causado transtorno, pois não enchem os reservatórios. É a chance, ainda, de esclarecer um mal entendido. “Uma ilha de calor é diferente da bolha de calor regional. A ilha tem influência restrita, não é capaz de mudar as condições atmosféricas regionais ou globais, já a bolha, sim”, afirma Adriana.

Credit: Informativo Regional
Credit: Informativo Regional

Outra questão evidente é o desmatamento. Cada árvore mantém a umidade da sua localidade. Assim, a dizimação das florestas da Região Sudeste contribuiu muito para a seca. “A bolha de calor só prevaleceu porque não há floresta. Se houvesse, ela se dissiparia. É por isso que não chove na Cantareira, já que seu entorno é apenas pasto”, aponta o pesquisador Antônio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Por tudo isso, economizar água acabou se tornando nossa única opção.

Fontehttp://revistaescola.abril.com.br/fundamental-2/norte-encheu-sudeste-secou-mudanca-climatica-835905.shtml?page=1

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